sexta-feira, 26 de março de 2010

My wonderwall.



A areia era estranhamente confortável naquele dia de sol fresco, o vai e vem das ondas causava uma sonora incrivelmente exclusiva, relaxante. Sentia cada grão com os seus pés e mãos cravados na areia, os olhos fechados, deixando-a em transe em relação ao meio ao seu redor.


Havia pouca luz e espaço, sonolentamente começou a palpar cada área ao seu redor, os pés topavam a cada cômoda a sua frente. Queria enxergar, era incrivelmente irritante ficar as escuras. O celular que de costume estava no bolso de trás da calça jeans, já não se encontrava lá. Barulhos. Sussurros. Roncos. Não era definível o som que vinha da porta a sua frente. Tateou até achar a maçaneta. Hesitou. Tremeu. Soou.


Muita luz, espaço amplo. Cômodo vazio. Tonteou com tanta claridade e, passou a caminhar pelo novo local. Não entendia onde estava e, não se lembrava de onde vinha. Só queria seguir em frente. Era longe, um lugar definitivamente desconhecido. Tinha medo do que passou, mas enfrentava tudo que tinha por vir. Não se sentia cansada, não questionava o que acontecia. Pela primeira vez a preocupação não andava ao seu lado e seu coração batia tão silenciosamente que parecia inexistente.


O espaço branco lentamente ia se estreitando e, como um único ponto vermelho no imenso mar azul, avistou cabelos ao vento no fim daquele túnel que se formara há pouco tempo. Riu. Pulou. Correu. A figura antes indistinguível começara a ficar clara, a luminosidade que antes era apenas branco, começara a ter cores. Todos os tipos. O coração vivo novamente, pulsando a todo ritmo dentro do peito. Não sabia o que causava tamanha adrenalina, mas não se permitiu pensar naquilo. Seu corpo não resistia mais como antes, os pés ardiam como se estivessem andando sobre brasas. Finalmente, depois de tanto tempo, o cansaço havia chegado.


A figura acenava estranhamente, parecia angustiada e gritava por um nome. Estava chegando perto, esticou suas mãos para encontrar a da tal figura. Tropeçou. Caiu. Chorou. Não agüentava mais. Sabia que faltava pouco, mas o desespero parecia tomar conta de todo o seu ser. Soluçou. Gritou. Correu. A figura, agora ganhava formas. Era magra, alta e de sorriso bonito. E não era apenas angustias que qualificavam suas ações, as lágrimas correntes em suas bochechas, eram mais uma.


Jogou-se de joelho fitando o chão, exausta. Sentiu uma mão suave tocar sua cabeça e erga-la para o alto. Olhos negros lhe fitavam. Sentiu-se novamente em casa, não importava mais o que ia acontecer. Agora não estava mais sozinha. Ergueu-se com a ajuda da figura, fechou os olhos e aconchegou-se no colo da mesma com desespero.


Não sabia o que pensar. Tudo lhe veio à cabeça naquele momento. Todos os pensamentos que lhe eram inexistentes, de repentes, voltaram à tona. Havia se afogado. O mar tão grande e violento lhe fez bater a cabeça contras pedras gigantes. Lembrava-se apenas de beber água, cada vez mais e mais, e ir para o fundo do oceano. Então era aquilo a morte? Seus sentidos estavam voltando e com isso todos os pavores de aceitar ter perdido a vida. Organizou apenas uma linha de raciocínio e, apavorou-se. Elizabeth também estava ali. Seus braços eram os que a acolhiam. Suas mãos foram as que a ergueram. Suas lágrimas foram as que a espiraram. De repente, ouviu vozes. Especificamente, a de Elizabeth. Queria responder, queria poder avistar. Mas novamente estava sozinha. Sufocou.


-Acorda! Não faz isso comigo, por favor! – berrava diante aquele corpo imóvel, pressionando o peito sem movimento algum. – Não pode me deixar, oook? Eu não deixo, não deeeeeeixo... – suplicou, enquanto as lágrimas faziam uma poça sobre a camiseta da “adormecida.”.


Chorou. Rolou. Esperneou. Mas nada parecia acontecer. Seu corpo parecia ter tomado um novo peso. E podia sentir apertos em suas mãos, mesmo que não conseguisse devolver. E uma respiração completamente inversa a sua, aproximava-se de seu rosto. Beijou sua testa. Sussurrando com lentidão “Eu amo você my little girl”.

Ardeu. Doeu. Perfurou o coração como um tiro certeiro, não queria continuar daquele jeito. Era indescritivelmente doloroso vê-la sofrer daquele jeito.


Abriu os olhos. Encontrou, de verdade, aquela figura – agora, definitivamente, nada estranha -, era a face da amiga com quem passara todo o verão. Com quem planejou os maiores sonhos. Que virou noite contando histórias. Que bailou pelas ruas das cidades... Era a face que nunca esqueceria. Até mesmo quando não houvesse mais vida.

Um comentário:

  1. Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
    Que história gay <3
    Amei!!!
    Você escreve muito bem Carol...
    E a forma como descreve as coisas prende a atenção...
    Parabéns por seu dom!!!
    Estou te seguindo ;p



    Bejãooo ;*

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