quinta-feira, 25 de julho de 2013

"At the bottom of the waterfall..."

Amanhecera apesar das evidências ao lado de fora da casa não informarem isso, o céu, ao contrário do esperado a cada amanhecer, permanecera escuro carregado de nuvens pesadas que impediam a claridade solar iluminar de o quarto. Sophie rolara mais uma vez na cama, enrolando-se nas cobertas para afugentar o frio. Sem perceber, pegava-se lembrando do sonho da noite anterior... Seria difícil levantar se as imagens continuassem a passar em sua mente como um filme. Resolvera então, usar um papel e caneta, estava decidida a registrar aquele sonho para que nunca o esquecesse.

  July 13, 1998

  "Ok, pode parecer muita loucura, mas esse sonho foi incrível por isso decidi escreve-lo. Provavelmente vou exagerar um pouco, mas quem liga? Eu estou feliz, o dia é longo, vamos escrever."

   As palavras seriam insuficiente para descrever quanto aquele lugar era incrivelmente mágico, não era qualquer lugar. Mark estava agindo estranho a alguns dias, suspeitei mas preferi não questioná-lo, o estresse no trabalho, as responsabilidades ministeriais estavam o sobrecarregando e não queria ser mais um peso. Então, um dia, ao qual me parecia ser normal, uma quinta-feira chuvosa, ele convidou-me para dar um passeio sem é claro, especificar qual era o lugar. Nem dicas sobre o que eu devia vestir ele deu! Isso foi ruim, atrasei quase cinquenta minutos, ele não entende como é difícil para uma garota se arrumar. Mas ao final até que não foi tão ruim, optei por um vestido de alça fino, era simples mas por sua cor ser avermelhado contrastou com minha pele clara, ficando gracioso. Quando saí do quarto após os longos minutos esperados, apesar de parecer chateado, ao olhar-me, sorriu. Eu sabia que ia acontecer isso e então sorri de volta.

- Pronta, Sophi? - me questionou, pegando em minha mão.
- Sim, sim. O que achou? - dei de ombros, mostrando-lhe a língua.
- Hmm, bom, está ótimo. Na verdade, linda! Mas terei muitos problemas ao andarmos na rua. - argumentou, sorrindo sinceramente pra mim.
 - Então quer dizer que vamos andando? Ótima dica. - mostrei-lhe a língua novamente.
 - Você vai descobrir. - falou misteriosamente.

   Por sorte, quando saímos a chuva tinha parado, e sim, fomos andando por algumas quadras. Haviam poucas pessoas na rua, até o movimento de carros era fraco... O que deixou Mark feliz, os "problemas" não aconteceriam. Fomos conversando por todo caminho sobre como o dia - apesar de nublado - estava lindo. Ele sempre me fazia perceber as coisas simples e olhá-las com uma perspectiva diferente, com admiração pela incrível criação do nosso Pai Celestial. E isso era incrível, ele parecia ver além do que as outras pessoas viam, isso me encantava. Após quinze minutos andando, entramos em uma rua a qual não conhecia e lá estava uma carruagem que parecia ter sido tirado de filme! Era branca coberta por rosas vermelhas, e o cavalo a qual puxava era branco e estava impecavelmente limpo. Fiquei atônita até um breve sorriso nascer no canto dos lábios.

- O que? O que é isso? - gaguejei, confesso, com os olhos cheios de lágrimas.
 - É pra você. - falou calmamente, ele parecia feliz.
 - É lindo! Eu amei, vamos vamos subir. - passei de um estado calmo, para um desesperado, estava tão animada, feliz.
 - Claro, senhorita. - ele parecia estar imitando um personagem, pegou em minha mão e a beijou, logo depois me ajudou a subir na carruagem.

  Sentei sobre a almofada que também era vermelha e logo ele sentou do meu lado. Apoiei minha cabeça no seu ombro e ele passou os braços ao meu redor, me abraçando, cerrei meus olhos com um sorriso nos lábios e desfrutei o máximo que pude daquele momento. Lá se foram outros quinze minutos e apesar do silêncio, estava tudo maravilhoso. Chegamos até um portão enorme de ferro branco, parecia um castelo antigo, mas estava em ótima forma. Olhei para ele achando tudo muito estranho, mas ele me ajudou a descer e então fomos até o lugar misterioso. Assim que passamos pelo portão havia uma trilha feita com pedras e ao seu redor havia uma grama muito bem cuidada, com certeza não era um lugar abandonado, mas apesar de parecer um castelo, não havia nenhum ali, tudo o que eu via eram arvores, flores e grama. Continuamos a caminhar de mãos dadas e de repente comecei a ouvir o que me parecia som de água corrente. Apertei mais forte a mão dele, eu estava ansiosa, nervosa, não sabia o que pensar. Paramos então no que parecia ser o meio daquele lugar, e ele me pediu para fechar os olhos e descrever todos os sons possíveis que eu estava ouvindo.

- bom, eu ouço... o som da água correndo rio abaixo, um som que acalma. Ouço o vento batendo contra as folhas, fazendo elas bailarem como bailarinas no ar. Ouço um passarinho cantando bem de longe... ouço sua respiração perto de mim. Eu acho que é isso - concentrei-me em descrever tudo como ouvia.
- Ótimo, você ouviu bem... você consegue entender o quão bom é ouvir? Deus nos deu esse privilégio para que pudéssemos ouvir esses sons, e nos maravilhar e acalmar nossos corações. Você sente essa paz? Os cincos sentidos nos foi dado não só para que pudéssemos fazer as coisas como trabalhar, estudar, fazer coisas... foi nos dado para perceber a maravilhosa criação dEle. Em todas a sua complexidade. Queria fazer você perceber isso. - finalizou sua fala, beijando minha testa.

  Meus olhos estavam cheios de lágrimas e resolveram escorrer por minha face, eu estava tão emocionada, aquilo foi lindo... Ele me abraçou forte e eu me senti segura. Após algum tempo ele falou que ainda precisávamos caminhar então fomos em direção ao som das águas. Era uma cachoeira, sua queda era muito alta, e embaixo onde estávamos havia um grande poço que parecia quase uma piscina. As pedras que cercavam aquele lugar eram enormes, as plantas e flores caim sobre a água, deixando ela colorida. Nunca tinha visto uma cachoeira tão linda. Seguimos em frente e ele cobriu uma das pedras com um lençol branco, sentamos sobre ele, e ficamos admirando o local.

- To com frio. - sussurrei.
 - Vem aqui, meu amor. - ele abriu os braços para que me aconchegasse nele. - você está gostando? - É claro, tudo é maravilhoso. Nunca tinha visto um lugar assim tão perfeito. - sorri, e já estava quentinha em seus braços.
 - hmm, eu trouxe algumas varas, você gostaria de pescar comigo? - questionou ele.
- Pescar? bom, eu nunca fiz isso.. mas se você quiser, eu não vejo problema. - falei, um pouco nervosa, eu realmente não sabia se conseguiria pescar algo.
 - Não tem problema, eu te ajudo. - deu novamente um beijo na minha testa.


Após ajeitar a vara, joguei-a na cachoeira, não era muito fundo na parte em que joguei. Ele preferiu me ajudar, então segurávamos juntos. Passaram-se alguns minutos e então algo pareceu pesar. Fiquei tão feliz, parecia uma criança. 


- Pegamos alguma coisa, amor! - falei quase que gritando.

  Ele apenas sorria, e soltou minha mão para que pudesse pescar aquela coisa sozinha. Puxei sem ter que fazer muita força e assim que saiu da água e pude ver, fiquei envergonhada, quer dizer, decepcionada. Era uma caixa, quase soltei a vara e saí correndo mas foi então que Mark gritou: NÃO! é isso mesmo. Confesso que na hora tomei um susto, terminei de pegar a caixa e quando olhei bem, parecia um presente e cabia na palma da minha mão. Eu olhei pra ele sem saber o que fazer.

- Você já vai poder abrir, mas antes, deixa eu falar... Deus me deu os olhos para que eu possa ver essa paisagem, me deu ouvido para ouvir cada som, me deu a mão para que eu possa tocar, me deu a boca para que eu possa falar e me alimentar, me deu o nariz para eu poder sentir o aroma das rosas... E me deu você, para eu usar cada um desses sentidos para te amar, te cuidar, e te proteger pra sempre. Você quer casar comigo? - Abri a caixinha e lá estava um anel."

 ACORDEI EXATAMENTE NESSA HORA!

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